Dona Marcelina quer viver a vida...


No período em que ocorreu a queda, em que foi realizado o diagnóstico de fratura de quadril e o procedimento cirúrgico, D. Marcelina passou semanas acamada, saindo poucas vezes da casa. Maria Tereza relata que estava melhor assim, na sua visão, pois sua mãe não corria o risco de passar por novas quedas e se machucar. Dessa forma, o medo de reincidir em quedas tornou-se maior na idosa, principalmente com as constantes repreensões da filha para que ela se mantivesse em repouso.
D. Marcelina, sentindo-se repreendida em casa por Maria Tereza, decide por tentar aproveitar melhor os prazeres da vida. Nesse contexto, realiza mais viagens românticas com seu marido, Sr. Geraldo, faz consumo de álcool pelo menos três vezes na semana, cedia mais eventos em casa para reunião de amigos e familiares e rompe com as orientações nutricionais, ingerindo alimentos processados e gordurosos com maior frequência. Como resultado, D. Marcelina ganha alguns quilos. Em consulta com a Dr.ª Sofia da Unidade Básica de Saúde, a paciente é orientada a seguir comportamentos redutores de danos, considerando o quadro de Hipertensão Arterial consolidado há anos, o diagnóstico de Diabetes Mellitus do Tipo II, o histórico de quedas e fratura de quadril.
Após isso, a Equipe de Saúde da Família do bairro solicita apoio matricial do NASF para haver sessões para D. Marcelina com um profissional fisioterapeuta. No entanto, Maria Tereza é pragmática, informando à equipe do seu não desejo de a mãe executar manobras fisioterapêuticas, entendendo que isso iria lhe machucar. D. Marcelina obedece tanto às orientações da médica Sófia quanto àquelas de sua filha Maria Tereza, limitando-se mais a permanecer na residência por mais tempo, assistindo televisão e “aproveitando da melhor idade”, como costuma falar Maria Tereza.

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