Dona Marcelina não sai mais da cama...
O tempo passou e Dona Marcelina Silva Santana está com 80
anos. À medida que tempo avançou, também avançaram negativamente as condições
de saúde de nossa idosa. No dia 24 de Junho, a pedido da ACS da Unidade Local,
Antônia, D. Marcelina recebeu a visita domiciliar em casa da médica
D.
Marcelina já tinha perdido quase que completamente sua mobilidade. As idas ao
banheiro foram dispensadas pelo uso de fraldas geriátricas. O longo período de
permanência ao leito, somado a alterações vasculares já existentes provocou o
aparecimento de escaras decubitais nos calcanhares, e estado nutricional
comprometido, a locomoção estava quase que bloqueada; por vezes o neto mais
velho a levava para tomar um banho de sol.
Na
consulta, levantou-se os seguintes dados e informações clínicas: na anamnese, a
queixa-principal foi de: “não poder mais sentir o braço, perna esquerda e ter a
fala cortada após o ‘derrame’.” O sintomas começaram após o derrame, não
evoluíram nem regrediram - assim relata a paciente -, não possui fatores de
piora ou melhora, e a paciente não relata que haja associação com alguma outra
doença que já tenha. Estado Geral regular: na
revisão de sistemas revelou achados sintomatológicos em olhos e ouvidos - perda
auditiva e visual esquerda aumentadas após o derrame -, em pele e fâneros - queixou aumenta das
úlceras de pressão -, no trato gastrointestinal - queixa de flatulência
abdominal e descontrole esfincteriano fecal-, no sistema geniturinário -
reclamou incontinência urinária, fazendo uso de fralda geriátrica desde o
episódio do AVE. No sistema musculesueltico - diz sentir fraqueza muscular. Sem
outros achados dignos de nota noutros sistemas corporais. Não houve achados
recentes dignos de nota em antecedentes patológicos e fisiológicos. Condições
socioeconômicas favoráveis.
Ao exame
físico, apresentou-se em regular estado geral, desorientada no tempo e no
espaço, humor hipomodulado, acianótica, anictérica, afebril, hipocorada,
emagrecida e eupnéica. Peso: 42 kg; FC: 70 BPM; FR: 20 irpm; Temperatura:
36,5°C.; PA: 132 X 91 mmHG. MMVV preservados, reduzidos em bases pulmonares,
sem RA. Ritmo cardíaco regular em dois tempos. Abdome plano, sem cicatrizes,
sem abaulamentos, com ruídos hidroaéreos presentes e ausência de massas ou
visceromegalias. Membros inferiores com boa perfusão tecidual, presença de úlcera de pressão em
calcanhar bilateral, que a inspeção apresentou ulcera de grau II. Xerose
cutânea. Presença de deformidades em articulações de joelhos. Sinais de
hipotonia e hipotrofia muscular, foi realizado o teste de circunferência de
panturrilha, o mostrou o valor de 36.9 cm.
Foram usados novamente alguns testes preditivos e de rastreio
para acompanhar, avaliar a condição de saúde de D. Marcelina; os quais foram:
Escala de Lawton, Mini - Exame do Estado Mental, Escala de Depressão Yasavage,
Escala Prediditiva de Braden, para rastreio e acompanhamento da úlcera de
pressão, pediu-se ainda que a filha anotasse em um diário as variações
micionais :
O Diário Miccional
Registrando os horários :
1° dia: 05:00, 08:00,14:00,15:30,16:00,18:00,20:00
2° dia
:05:30,09:30,10:30,12:30,13:35,15:45,17:36,18:00.20:20
3° dia : 06:25, 08:56,09:00, 10:15,14:52,17:58,18:45,19:32,
21:06
Volume de urina: Pouco em todos os dias Frequência das
micções: de 6 a 9 por dia. Frequência do uso de absorventes: de 3 a 5
diariamente. Episódios de incontinência: de 3 a 4 vezes.
Para a Escala de Lawton, o valor dado foi de 10 pontos.
Dando dependência moderada e grau moderado de declínio cognitivo. Para a
escala Minimental apresentou pontuação 09, com Estado mental no limiar da
demência, memória imediata e tardia deficitária, pouca fluência verbal, memória
visual com defasagem moderada, fluência nominal deficitária. Para a escala de
depressão - 11 pontos indicando estado
de depressão severa. Para a escala preditiva de Braden - 13 pontos no score, os
resultados indicaram um alto risco para desenvolvimento de Ulcera de Pressão,
sendo necessário o acompanhamento de uma fisioterapeuta que realizou as as
seguintes intervenções:
●
Cronograma de mudança de decúbito;
●
Otimização da mobilização;
●
Proteção do calcanhar;
●
Manejo da umidade, nutrição, fricção e
cisalhamento, bem como uso de superfícies de redistribuição de pressão.
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