Dona Marcelina está começando a envelhecer...


Dona Marcelina está começando a envelhecer, muitos de seus fios de cabelo estão brancos, tem dificuldades esporádicas para se lembrar de eventos recentes e possui leves dores nos ossos e articulações, principalmente após o período do climatério. 
Preocupada com seu estado de saúde, Dona Marcelina foi à Unidade Básica de Saúde Manoel Rodrigues do bairro de Ferradas em uma quarta-feira chuvosa, dia 12 de abril de 2007, para solicitar exames de rotina. Na ocasião, foi atendida pela enfermeira Cristina, uma das profissionais constituintes do Programa de Saúde da Família do Bairro, pois a médica da unidade só atendia às segundas e às quartas-feiras.
Considerando o grande hiato entre a última procura por atendimento e a atual na Unidade por D. Marcelina , assim como, a existência de mudanças no quadro de profissionais de saúde da UBS, Cristina realizou a Anamnese e o Exame Físico, atualizando o prontuário da paciente. Na Anamnese, D. Marcelina foi perguntada pela enfermeira o que lhe trazia à unidade, ela respondeu dizendo: “Gostaria de fazer um check-up geral. Tem muito tempo que não faço nenhum exame, e sinto que a idade está chegando para mim. Estou mais cansada, sinto umas dorzinhas nas juntas e na coluna, minha vista está mais curta.” (SIC)
Quando questionada acerca de quanto tempo e o quanto isto lhe causava incomodo, D. Marcelina respondeu: “Há alguns meses, mas depois que Elba, minha comadre, tem me falado que essas dores nas juntas é porque eu ando trabalhando demais e não tenho cuidado e minha saúde. Aí fico assim, né fia?! Com medo de minha saúde ir mal...”
Ainda na Anamnese, quanto ao histórico de doenças, D. Marcelina nega a existência de dislipidemia e diabetes mellitus até o momento, tendo feito exames há dois anos atrás. Conta também que, entre suas irmãs, estão presentes alterações osteoarticulares e musculoesqueléticas, não sabendo dizer, por outro lado, se os irmãos têm queixas similares, mas afirma que sua mãe morreu de “parada”. Seus pais e irmãos têm/tiveram Hipertensão Arterial Sistêmica. Cristina perguntou a D. Marcelina há quanto tempo foi diagnosticada com HAS, qual a frequência de aferições - de quanta em quantas vezes tem medido -, qual os valores médio obtido nestas medições, se faz uso de álcool, tabaco e/ou outras drogas,  se tem parentes de primeiro grau com hipertensão arterial, diabetes e “colesterol alto” (dislipidemia), e complicações cardiovasculares - especialmente “infarto” (infarto agudo do miocárdio) e ‘derrame’ (acidentes vasculares encefálicos) - , se ela mesma já teve algo do tipo ou algum problema nos rins e na visão , e se ela  sente algum sintoma ou desconforto quando a sua PA está alterada: “Faz mais de sete anos que um Doutor daqui me falou que eu tinha pressão alta, aí começou com o remédio que eu falei. Eu tenho medido quase todo dia, quase que dia sim e dia não, sempre vem dando 13 por 9 por aí. Peço para que Elba afira para mim. Eu já fumei até os 35 anos, depois consegui parar, nunca fui de beber não. Drogas? Não, eu não uso essas imundícies não! Minha mãe antes de morrer ficou um tempo sem se movimentar, ela não conseguia fazer nada, eu que cozinhava, lavava as coisas dela, depois morreu de “parada”. Meu irmão, Jorginho, teve infarto e outro irmão, Rogério, teve derrame, ficando acamado durante muito tempo,estão bem hoje. Já eu não, só se eu não sentir (risadas), nem tenho nada nos rins. Minhas vistas é curta, mas eu uso óculos. Não sinto nada, minha filha. Se tiver alguma coisa me matando, me mata escondido” (SIC). A  Senhora já passou por alguam cirurgia ? “ Já sim , minha filha. Reitirei os dois ovários. Tinha aquele doença… é…. Ovário ?! “ Policistico”, completou Cristina. 


Ao exame físico inicial, D. Marcelina apresenta-se em bom estado geral, corada, eupneica, acianótica, anictérica, hidratada e afebril. Frequência cardíaca de 18 irpm, Pressão Arterial 140x90 mmHg - sentada e em ambos os braços -, em posição ortostática 130x80 mmHg, Pulso de 70 bpm. D. Marcelina não apresenta achados dignos de nota em orelhas, olhos, nariz, cavidade oral e pescoço. Também são inexistentes desvios na coluna, nas costelas e vértebras. Bulhas cardíacas normofonéticas - ausência de bulhas B3 e B4 -; ausência de murmúrios adventícios em base ou ápice pulmonar. À inspeção, observou-se acúmulo de gordura em quadril, indicando obesidade ginecoide. Palpação das regiõe abdominopélvicas esquerda e direita sem achados anormais. Dados antropométricos: altura de 1,58 cm, Índice de Massa Corpórea de 25kg/m(2) e Circunferência Abdominal de 92 cm.Frequência respiratória de 18 irpm. Pressão Arterial 140x90 mmHg - sentada e em ambos os braços -, em posição ortostática 130x80 mmHg, pulso de 70 bpm.
Como intervenção, Cristina referiu D. Marcelina para a médica Sofia, que trabalha na UBS. A Dr.ª Sofia passou um hemograma completo e solicitou ajuda matricial do NASF, para o acompanhamento nutricional e do educador físico. Além disso, a médica responsável pelo atendimento recomendou o retorno da paciente à Unidade de Saúde quando a mesma completasse 60 anos de idade, para iniciar o acompanhamento do processo de envelhecimento e o preenchimento da Caderneta do Idoso. A Dr.ª Sofia encerrou a consulta enfatizando a importância da prática de exercícios físicos e do controle da dieta para manutenção do processo de senescência, em detrimento do de senilidade.

 Senilidade, senescência e funcionalidade em D. Marcelina

Aos 52 anos, Dona Marcelina encontra-se  numa fase denominada envelhecimento primário. Para Birren e Schroots (1996) essa fase também conhecida como envelhecimento normal ou senescência, porque atinge todos os humanos pós-reprodutivos, por se tratar de uma característica genética.  É o período em que os principais sistemas biológicos começam a apresentar declínios funcionais. Esses declínios variam de 10 a 30% em relação aos valores máximos de quando essa pessoa era adulta jovem, mantendo-se o equilíbrio homeostático mas em compensação há um ínicio da perda de função dos órgãos. (FECHINE; TROMPIERI, 2015).





REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA
FECHINE, Basílio Rommel Almeida; TROMPIERI, Nicolino. O processo de envelhecimento: as principais alterações que acontecem com o idoso com o passar dos anos. InterSciencePlace, v. 1, n. 20, 2015.
PORTO, Celmo Celeno. Semiologia Médica. 7° edição.Guanabara Koogan : Rio de Janeiro, 2014.
CIOSAK, Suely Itsuko et al . Senescência e senilidade: novo paradigma na atenção básica de saúde. Rev. esc. enferm. USP,  São Paulo ,  v. 45, n. spe2, p. 1763-1768,  Dec.  2011 .   Disponível em : <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342011000800022&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 05 de outubro de 2019.
MALACHIAS, MVB et al . 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial: Capítulo 3 - Avaliação Clínica e Complementar. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo ,  v. 107, n. 3, supl. 3, p. 14-17,  set.  2016 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2016004800014&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em  05 de outubro  2019.  http://dx.doi.org/10.5935/abc.20160153.
KOHLMANN JR., Osvaldo et al . III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial. Arq Bras Endocrinol Metab,  São Paulo ,  v. 43, n. 4, p. 257-286,  Aug.  1999 .  Disponível em : <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27301999000400004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 05 de Outubro de 2019.

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